A Síndrome da Kundalini

- by Dhin Akari



A síndrome da Kudalini é um conjunto de sintomas sensoriais, motores, mentais e afetivos reportados predominantemente (de acordo com alguns autores sobre o assunto) entre pessoas que tiveram uma Experiência-Quase-Morte (EQM), (near-death-experience); ela também tem sido atribuida a praticantes de meditação ou yoga.

Pesquisadores nos campos da psiquiatria, psicologia transpessoal, e experiências quase morte, descrevem um complexo padrão de sintomas sensoriais, motores, mentais e afetivos associados com o conceito da Kundalini, as vezes chamada de Síndrome Físio-Kundalini ou Síndrome-Kundalini. Acredita-se que este processo psico-espiritual e transformador ocorre em conexão com a EQM, ou com a prática prolongada e intensa de atividades espirituais ou contemplativas, como feito dentro de algumas sub-disciplinas da meditação de da yoga. Outros fatores que podem desencadear esta sintomatologia incluem uma variedade de experiências ou crises pessoais intensas.De acordo com autores da área da psicologia transpessoal o processo não é sempre brusco e dramático. Ele também pode começar lentamente e aumentar gradualmente com o tempo. Se os sintomas relacionados se desdobram de uma maneira intensa e que desestabiliza a pessoa, o processo é geralmente interpretado como uma emergência espiritual.


Sintomatologia

Pesquisadores relacionados com as áreas da psicologia transpessoal e experiências-quase-morte têm sugerido critérios comuns que descrevem esta condição, da qual a característica mais comum é a sensação de uma energia ou calor subindo pela coluna.

Outros Sintomas

Sintomas motores ou sensoriais.Sensação de pressão dentro do crânio. Percepção de sons interiores. Visões de luzes interiores. Sensação de vibrações ou cócegas/contrações na parte de baixo das costas. Taquicardia. Mudanças na respiração. Movimentos corporais instantâneos  Sensações de calor ou frio movendo-se pelo corpo. Dores pelo corpo que começam e acabam repentinamente. Vibrações ou coceiras em baixo da pele. Sensações sexuais intensas e incomuns.

Sintomas mentais e afetivos/emocionais

Medo. Ansiedade. Despersonalização. Intensas emoções positivas ou negativas. Aceleração ou desaceleração dos pensamentos. Estados de transe. Sensações momentâneas de que a pessoa é maior que o corpo físico. Experiências de consciencia paranormal.

Alguns teóricos das áreas transpessoais, como Greyson, se referem a essa sintomatologia como a “Síndrome Físio-Kundalini”, enquanto acadêmicos ocidentais usam a o termo Experiência da Kundalini/ Despertar da Kundalini.

Entretanto, a literatura Transpessoal indica que a observação dos sintomas não deve ser usada para um diagnóstico amador. De acordo com autores sobre o assunto, a interpretação dos sintomas não é óbvia ou simples. Os sintomas associados com a kundalini podem nem sempre representar tal atividade. Podem, ao contrário, ser uma indicação de outras condições médicas que precisam de atenção. Kason enfatiza que qualquer sintoma diferente ou marca física precisa ser investigada por um profissional médico qualificado:

“É importante lembrar aos pacientes, suas famílias e amigos que qualquer sintoma diferente precisa ser investigado por um profissional médico qualificado, mesmo quando a pessoa tem certeza que o sintoma não é nada mais que a expressão da energia transformadora do corpo. Alguém pode experimentar a atividade da kundalini, e adicionalmente também ter problemas de saúde que precisam de atenção médica. Pode ser um erro sério, até mesmo fatal, assumir sem orientação médica, que qualquer dos sintomas listados nas próximas páginas não possuem uma causa médica.” – Kason, pg. 178-79.

2. Síndrome Físio-Kundalini de Bentov

Itzhak Bentov dedicou um apêndice do seu livro “Stalking the Wild Pendulum: The Mechanics of Consciousness” (Seguindo o Pêndulo Selvagem: A Mecânica da Consciência), àquilo que ele chamou de “Síndrome Físio-Kundalini”. O colega de Bentov, Lee Sannella, posteriormente também usou o termo para descrever a incidência de fenômenos fisiológicos descobertos como sendo relacionados e coexistentes com experiências de kundalini. Bentov e Sannella, concordaram com a visão de Gopi Krishna, que diz que a kundalini é um sintoma de uma evolução em direção a estados de consciência elevados.

Estes pesquisadores eram especialmente interessados em problemas da kundalini – ocorrências fisiológicas incomuns que tendem a acontecer em situações onde pessoas praticam longos períodos de meditação sem supervisão adequada ou guias. Muitos dos casos de estudo de Bentov e Sannella foram sobre praticantes de Meditação Transcendental, ensinada por Maharishi Mahesh Yogi.

Bentov e Sannella tinham visões positivas da meditação como um meio de aliviar o stress no corpo. Sua principal preocupação, porém, era que reações corporais ou estados mentais incomuns relacionados ao despertar da kundalini poderiam causar situações de saúde potencialmente prejudiciais e impróprias.
De acordo com Bentov:

“Como mencionado anteriormente, o sistema nervoso humano tem uma latente e tremenda capacidade para a evolução. Essa evolução pode ser acelerada por técnicas de meditação, ou pode ocorrer espontâneamente com qualquer pessoa. Em ambos os casos, uma seqüência de eventos é desencadeada, causando, as vezes, reações físicas/corporais e estados psicológicos fortes e incomuns. Algumas dessas pessoas que meditam podem suspeitar que essas reações são de alguma forma conectadas com a meditação. Outras que desenvolvem esses sintomas espontaneamente, podem entrar em pânico e procurar ajuda médica. (As vezes, pessoas de ambos os grupos procuram ajuda médica.) Infelizmente a medicina ocidental não está equipada para lidar com esses problemas. Estranhamente, apesar da intensidade dos sintomas, poucas ou nenhuma patologia pode ser encontrada.”

Sannella diz:
“No meu diagnóstico, eu mostro que é possível reconhecer o processo Físio-Kundalinico e diferenciá-lo da psicose, mesmo quando essa duas condições são temporariamente co-presentes numa pessoa em particular. Essa distinção ajuda a possibilitar os clínicos a evitar sérios erros que foram cometidos no passado. Um diagnóstico errado pode não apenas complicar o caso ainda mais, mas também privar a pessoa que tem os sintomas do despertar da kundalini do grande e transformador potencial espiritual que isso possibilita.”

Bentov diz ainda mais:
“Os sintomas psicológicos tendem a se parecer com esquizofrenia. É muito provável, então, que tais indivíduos possam ser diagnosticados como esquizofrênicos e internados ou medicados com tratamentos drásticos e não garantidos. É irônico que pessoas nas quais o processo evolucionário da natureza começou mais rápido, e podem ser consideradas mutantes avançados da raça humana, possam ser internadas como anormais pelos seus colegas normais. Eu ainda arrisco acreditar, com base em discussões com meus amigos psiquiatras, que esse processo não é tão exótico e raro quanto as pessoas acreditam, e possivelmente 25 a 30% dos esquizofrênicos internados pertencem a essa categoria – um enorme desperdício de potencial humano. Espero que o material apresentado aqui possa gradualmente alcançar médicos e psicoterapeutas mais mente aberta, e enquanto a síndrome descrita vai se tornando mais conhecida, métodos não-traumáticos para lidar com esses sintomas possam ser desenvolvidos. Métodos que não parariam, mas apenas desacelerariam a velocidade com a qual o processo evolucionário progride. Fazendo possível com que os pacientes se desenvolvam numa velocidade segura e aceitável e que possam conviver normalmente com a sociedade.”

Sintomatologia

Lee Sannella conseguiu agrupar os sintomas em categorias, as quais Kason reutilizou com algumas modificações. Para Sannella, as indicações consistem em:
fenômenos motores – movimentos involuntários, respiração diferente, paralisia;
fenômenos sensoriais – cócegas, sensações quentes e frias, luzes internas ou visões, sons interiores; fenômenos interpretativos – emoções, distorções de pensamentos, desprendimento, desassociação e um senso de união;e fenômenos não fisiológicos – experiências fora do corpo e percepções psíquicas.

De acordo com Kason e outros, o despertar da energia kundalini pode ter efeitos colaterais e em alguns casos pode ser conceituado como um problema espiritual. De acordo com a teoria transpessoal o despertar de tais energias são “acompanhados por alterações na fisiologia e consciência, entendidos nos termos do sistema Hindú de Chakras”. O conhecimento do mapa dos chakras poderia então ser útil na interpretação dos sintomas. Consultas com um professor de meditação que não é treinado em técnicas de kundalini, ou um psiquiatra, médico ou terapeuta que não conhecem esses processos, geralmente leva a confusões e desentendimentos. Professores de Yoga que conhecem bem as técnicas e podem guiar os alunos no processo do despertar da kundalini são tão raros que a possibilidade de ter os efeitos colaterais resolvidos suavemente é muito baixa.

Mesmo que os sintomas sejam muitas vezes dramáticos e ruins, teóricos como Sovatsky e Greyson tendem a interpretar os desdobramentos dos sintomas como não patológicos, que podem causar amadurecimento, e de uma significância evolucionária para a humanidade. De acordo com Scotton, sintomas relacionados a kundalini podem ou não ser associados à psicopatologias. Ele também pensa que é importante diferenciar entre os sinais da kundalini e os sintomas de alguma patologia, e não simplesmente resumir e simplificar os sinais da kundalini sob um diagnóstico patológico qualquer. Outros autores, como Kason, tendem a ter uma visão mais abrangente do processo, vendo os sintomas relacionados como uma “limpeza psico-espiritual da casa”.

Entretanto, Sovatsky acredita que é importante diferenciar entre os sintomas de um possível despertar da kundalini e os sintomas de diferentes processos preliminares de yoga ou distúrbios de balanço prânicos. De acordo com esse ponto de vista, muitos alegam que problemas de kundalini podem, na verdade, ser sinais do estado energético precursor da pranotthana. A diferença entre pranotthana e a kundalini também é mencionada por outros autores, como Bynum. Sovatsky também lembra que: “Kundalini se tornou uma palavra popular nessa nossa época e na nossa cultura americana… e atrai pessoas com reclamações psiquiátricas/neurológicas crônicas e não específicas, em busca de uma explicação para seus sintomas; o uso, no ocidente, da experiência problemática que Gopi Krishna teve com sua kundalini como um padrão deu a idéia e reputação de que o despertar da kundalini seria, na verdade, mais perigoso do que realmente é”.

Alguns clínicos, como Scotton, lembram que o tratamento psiquiátrico ocidental clássico pode não ser o método mais indicado para tratar os sintomas da kundalini. Ele menciona algumas situações (geralmente envolvendo pensamentos psicóticos suicidas) onde ele pensa que o tratamento com drogas seria apropriado. Porém prefere lidar com esses episódios de kundalini com o mínimo possível de intervenções fisiológicas ou com drogas.

Alguns autores das áreas da psicologia e psiquiatria têm sugerido uma abordagem clínica para os sintomas da kundalini. Possíveis melhorias no sistema de diagnóstico, que poderiam diferenciar problemas de kundalini de outras desordens tem sido sugeridos. Num artigo do Journal of Nervous and Mental Disease (Jornal da Doença Nervosa e Mental), teóricos como Turner, Lukoff, Barnhouse e Lu mencionam os problemas de kundalini relacionados à categoria “Religious or Spiritual Problem” (Problema Religioso ou Espiritual) do DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders / Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais).

Discussões sobre a sintomatologia da kundalini também apareceram em alguns dos principais jornais acadêmicos, inclusive o Psychological Reports, onde M. Thalbourne descreve uma lista com 35 “Escalas de Kundalini”.

No livro “The Stormy Search for the Self” (A Tempestuosa Procura pelo Eu), Stanislav Grof, cuja esposa Christina passou pela dramática experiência da shaktipat, descreveu elevados níveis de energia, tremedeiras, memórias de traumas, emoções extremas, sons internos, visões, excitação sexual e dificuldade em controlar o comportamento. Eles recomendam que qualquer um que passe por essas experiências sejam examinados por um médico que tenha conhecimento sobre a kundalini, por causa da similaridade entre esses sintomas e os de problemas psiquiátricos ou médicos.

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